A Pequena Imprensa
Conceitualmente, a imprensa localizada nas pequenas cidades parece ser democrática e auto-regulada. Não sei o que se passa nos outros países, mas o fato é que no Brasil há algo de muito errado com ela. Em vez de uma imprensa próxima da população, atuante de maneira imediata e presente nos fatos de interesse da comunidade, praticante de preços de publicidade justos e correspondentes à realidade do mercado, o que se vê é uma miríade de pequenos órgãos, a maioria sem foco, identidade ou proposta editorial, sobrevivendo à custa de press-releases das agências de notícias e assessorias de imprensa, sem trabalho investigativo e sempre atendendo de forma escandalosamente prioritária aos interesses dos anunciantes, disputando a tapa e muitas vezes de forma desleal um mercado saturado e sufocado pelo assédio constante dos departamentos comerciais, ávidos por financiar a continuidade das publicações. O interesse para o leitor, quando há, é incidental. É o preço que se paga pela liberdade, agravado pela falta de critério, responsabilidade e perspectiva de algumas pessoas que, à falta de outras formas de se sustentar, apelam para um jornalismo que, mais que ao dicionário, afronta a memória de gente como Claudio Abramo e outros de semelhante estatura. Isso só vai ser solucionado quando os anunciantes começarem a se pautar menos por preços e condições de pagamento e mais por conteúdo e linha editorial. É inevitável que, com o crescimento acelerado da cidade e com o distanciamento pessoal entre anunciantes e veículos de comunicação, o poder de sedução dos vendedores acabe se curvando a critérios como qualidade e credibilidade.
Maio Musical
Mantidos a abrangência e o padrão de qualidade do Maio Musical, só hoje me ocorreu como faz falta um certo ar de celebração que havia à época das primeiras edições, como se a cidade fosse contagiada por um clima de música, algo como a sensação que tem do astral de Viena todo mundo que conheço que esteve lá. Talvez, dado o crescimento e fragmentação da população da cidade, fosse o momento de se pensar o festival de maneira um pouco mais publicitária, com referências visuais (painéis, oudoors, banners e outras mídias) que, interligadas, talvez enriquecessem o conjunto da obra e inserissem ainda mais o Maio Musical no inconsciente das pessoas.
Dia das Mães
Acho uma sacanagem enorme esse negócio de Dia das Mães, Dia dos Pais, dia não sei do quê. A pessoa fica numa sinuca de bico se não tem dinheiro para presentear a mãe nesse dia - isso na melhor das hipóteses, já que pior ainda é ser dolorosamente lembrado anualmente àqueles que não mais as têm a falta que elas fazem, com a obrigatória melancolia de assistir aos que as têem recebendo delas o carinho que tanta falta faz. Melhor não seria se todos tratassem suas mães com todo respeito, dignidade e consideração, presenteando-as sempre que cruzassem com algo que soubessem que as faria feliz e, claro, tendo dinheiro para isso?
Escrito por Kleber Patricio às 12h04
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